Tuesday, December 11, 2012

Doces Saudáveis \\ Healthy Sweets



Mais um workshop com a Sarah, mais uma tarde cheia de boas vibrações e energia! Eu tenho que dizer que o tema desta vez deixava-me um pouco reticente: “sobremesas saudáveis” são duas palavras que juntas sempre me fizeram alguma confusão. Desde miúda que adoro doces, biscoitos, chocolates, bolos, etc e para quem não sabe, até cheguei a fazer um curso de pastelaria francesa no Ritz de Paris há uns anos atrás. Sobremesas saudáveis é para mim um conceito contraditório: se é saudável então é porque não é uma sobremesa “à séria”! Claro que por motivos de saúde (e estética, sim), durante muito tempo ficava muito contente quando conseguia satisfazer o meu desejo por doces com “sobremesas saudáveis”. 

Mas a minha perspectiva foi mudando ao longo dos anos. Primeiro, eu comecei a mudar a minha relação com os doces (tal como mudei a minha relação com a carne e o peixe) – deixou de me apetecer comer com a mesma frequência. Ou seja, não foi nada radical, apenas deixei de ter vontade de comer doces todos os dias ou todas as semanas. O facto de ter consciência do que se come (versus comer porque sabe bem) é algo que já tenho vindo a falar aqui no blog e é exactamente o que me faz preferir certos alimentos em detrimento de outros. 


Blueberry Chia Pudding - Winter Dessert Class with Sarah Britton


Nos últimos anos, comer uma sobremesa, um doce ou um bolo, tornou-se para mim algo próprio para ocasiões especiais (hoje em dia, se comer uma sobremesa ou fatia de bolo por mês é muito), sempre em pequenas quantidades, mas se é para comer, então que seja uma sobremesa cheia de ovos, açúcar e natas como um cremoso crème brulê, ou algo com muito chocolate, açúcar e manteiga, como um fondant (nada de sobremesas com fruta, adoçantes, light, integrais, etc). E foi assim que desenvolvi uma relação, que eu considero saudável com o mundo das sobremesas – poucas vezes e em pouca quantidade de cada vez. Ou considerava, até há uns fins-de-semana atrás.

Uma das coisas que a Sarah mencionou no workshop foi o mal que o açúcar branco faz à nossa saúde. Até aqui tudo bem, todos sabemos que o açúcar branco não é um “alimento” aconselhável na nossa alimentação diária. Mas o que eu não sabia é que o processo de digestão do açúcar branco consome uma série de nutrientes que temos no nosso corpo, ou seja, não só o açúcar branco não alimenta como ainda nos torna menos nutridos após o seu consumo – um verdadeiro inimigo à nossa saúde e bem-estar… um veneno! 

E assim se criou um novo nível de consciência na minha cabeça. É improvável que deixe pura e simplesmente de comer açúcar branco (tal como nunca deixei de comer carne e peixe), mas sem dúvida que vou olhar para as sobremesas, doces e bolos que aparecerem “poucas vezes e em pouca quantidade de cada vez” à minha frente de uma maneira muito mais crítica.


Raw Mint Chip Tarts - Winter Dessert Class with Sarah Britton


Com esta nova consciência, aliada aos conhecimentos que adquiri no workshop de raw food, decidi testar uma sobremesa clássica, mas raw e sem açúcar claro: Crumble de maçã. Ou de frutas, no geral. A verdade é que já experimentei com maçã e pêra e com pêra e banana e ficam ambas óptimas. A utilização de mel é totalmente opcional e vai depender do gosto de cada um. Quem diz mel diz xarope de Agave, para os vegans. E também dá para juntar passas à fruta e/ou outros frutos secos ao “Crumble”. 



In English

Another workshop with Sarah, another afternoon full of good vibes and energy! I have to say that the theme this time left me a little reticent: "healthy desserts" are two words that together always made me some confusion. Since I was a little girl, I’ve always loved sweets, biscuits, chocolates, cakes, etc. and for those unaware, I even took a French Pastry course at the Ritz Paris a few years ago. “Healthy desserts” is a contradictory concept to me: if it is healthy then it’s not a real dessert! Of course that for health issues (and aesthetics, yes) I have long stood very happy when I could satisfy my craving for sweets with "healthy desserts". 

But my perspective has changed over the years. First, I started to change my “relationship” with sweet things (as I changed with meat and fish) – I didn’t want to eat it as often as I did before. It wasn’t a radical change; I just stopped wanting to eat sweets every day or every week. The fact of being aware of what you eat (versus eating because it tastes good) is something that I have been talking about here on the blog and that is exactly what makes me prefer certain foods over others.

Banana Bread Granola - Winter Dessert Class with Sarah Britton

In recent years, eating a dessert, a sweet or a cake, became something to eat only in very special occasions (today, if I eat a slice of cake or dessert per month is a lot), always in small amounts, but if I’m supposed to eat it, then let it be a dessert full of eggs, sugar and cream like a  creamy crème brulê, or something with a lot of chocolate, sugar and butter, like a fondant (no desserts with fruit, sweeteners, light, etc.) . That’s how I developed a “relationship”, that I considered to be healthy one, with desserts - a few times a year and in small quantities at a time. That’s what I thought until this weekend.

One of the things that Sarah mentioned at the workshop was how bad white sugar is to our health. So far so good, we all know that white sugar is not a good "food" in our daily diet. But what I did not know is that the process of digestion of white sugar consume a lot of nutrients that we need in our body, ie, white sugar not only does not feed you but also makes us less nourished after consumption - a real enemy to our health and well-being ... a poison!

Ginger Cookies - Winter Dessert Class with Sarah Britton

That’s how a new level of awareness was created in my head. It’s not likely that I‘ll simply stop eating white sugar (as I never stopped eating meat and fish), but with no doubt I'll look at desserts, pastries and cakes that appear "a few times a year and in small quantities at a time" in front of me in a much more critical way.


With this new awareness, associated with the knowledge I gained at the raw food workshop, I’ve decided to test a classic dessert, raw and sugar-free: Apple Crumble. Or fruit, in general, crumble. I've experienced with apple and pear and with pear and banana, and they are both great. The use of honey is completely optional and depends on each one’s taste. You can also use Agave syrup if you’re vegan. You can also add raisins to the fruit and / or other nuts to the "crumble".




Raw Crumble (serve 2 pessoas)

4 peças de fruta (podem ser 2 maçãs e 2 peras, 3 peras e 1 banana, ou outra combinação)
Algumas gotas de sumo de limão
1 c.sopa de mel (opcional)
½  chávena de tâmaras, sem caroço
½ chávena de nozes
1 c.chá de canela em pó

Descasque a fruta e coloque metade da fruta num food processor, juntamente com algumas gotas de sumo de limão, para prevenir a oxidação. Triture muito bem até formar um puré. Adicione a restante fruta e o mel, caso necessário, e triture só um pouco, de modo a que ainda se sintam pedaços inteiros, mas pequenos, de fruta. Deite o preparado de fruta em tacinhas. Coloque agora novamente no food processor, as tâmaras e as nozes, com a canela e triture, até a mistura se parecer com pequenas migalhas. Deite este preparado sobre a fruta e pressione ligeiramente. Sirva de imediato.



In English


Raw Crumble (serves 2)

4 pieces of fruit (it can be 2 apples and 2 pears, 3 pears and 1 banana, or other combination)
A few drops of lemon juice
1 tbsp honey (optional)
½ cup of dates, pitted
½ cup of walnuts
1 tsp ground cinnamon

Peel the fruit and put half of it in a food processor, with a few drops of lemon juice, to prevent oxidation. Pulse well until it forms a puree. Add the remaining fruit and honey if necessary, and pulse only a little, so that you have smalls pieces of fruit blended with the puree. Pour the prepared fruit in bowls. Now, put again in a food processor, the dates and walnuts with the cinnamon and pulse it until the mixture resembles small crumbs. Pour this mixture over the fruit and press slightly. Serve immediately.





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10 comments:

  1. Marailhoso. Acho que este crumble vai acontencer lá em casa já hoje à noite, para rematar a bela da sopa que vou fazer :)

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  2. Que bom Ondina :) depois diz-me o que achaste...!

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  3. Adoro crumbles, e esta versao em que o mel e rei em vez do acucar para mim so tem a ganhar.

    Beijinhos e feliz Natal

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  4. Olá Diana,
    Os copos que usou para fazer o Raw Crumble são muito giros, queria comprar para servir sobremesas e entradas e os unicos que encontrei, na Casa, são muito pequenos, sabe onde posso encontrar em Lisboa? Obrigada

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  5. Obrigada Cacahuete!

    Olá! Os copos são Ikea :)

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  6. Fiquei fã do seu blog, vou seguir :)

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  7. Estes copos são muito ricos. Eles também são nutritivos? Porque eu estou fazendo dieta e quero que a comida seja deliciosa e nutritiva. Dessa forma, eu não tenho que comer coisas que são mais ricas e têm mais calorias. Eu encontrei alguns restaurantes em itaim bibi que tem comidas baixas em calorias e que são deliciosas.

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  8. Diana acabei de encontrar o seu blog e estou encantada. De repente deparei-me com este post e fiquei muito interessada em tudo o que falou acerca de alimentos saudáveis e, principalmente, a história acerca do açúcar branco. E por isso, gostaria de lhe fazer uma pergunta, não poderemos fazer este crumble com açúcar amarelo? Ou também não é um bom alimento?
    Muitos parabéns pelo blog. Gostei mesmo muito. Tem histórias fantásticas e receitas divinais.

    beijinhos,
    Mª João Clavel

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    1. Olá Maria João, muito obrigada pelas palavras, fico muito contente! Quanto ao açúcar amarelo, nesta receita em particular, não é de todo necessário. As tâmaras são bastante doces e a banana também adoça a restante fruta. Contudo, noutras receitas é perfeitamente possível substituir o açúcar branco por amarelo. O pensamento base aqui é quanto menos processado melhor, e o açúcar amarelo é mais "puro" que o branco... mas continua a ser açúcar... o ideal é limitar ao máximo a utilização de açúcar, mas em ocasiões especiais e em pequenas quantidades, por que não? :) beijinhos Diana

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    2. Pois.. percebi! :)
      Obrigada pela resposta tão rápida.
      A minha irmã foi a Itália, há uns anos largos, fazer um tratamento ayurvédico, e aprendeu muito acerca das especiarias e dos alimentos em geral. Já há muito que tenho interesse em saber mais. Ontem desde que comecei a ler o seu blog aguçou ainda a minha curiosidade que estava um pouco adormecida.
      Obrigada pela partilha e mais uma vez pela sua simpatia e brevidade na resposta.

      Beijinhos,
      MJ

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